

Era uma vez uma quinta solarenga no Alentejo. A vaca Mimosa pastava feliz na erva verdinha. Ela olhava para as nuvens brancas no céu azul. Mimosa adorava sonhar acordada. A quinta era linda e cheia de amigos animais. O sol brilhava quentinho. Era um dia perfeito para pastar e brincar.

De repente, Mimosa sentiu uma picada forte no pé. Ai-ai-ai! Ela mugiu bem alto. Era um pico de ouriço-cacheiro escondido na erva! Mimosa começou a coxear e a dar voltinhas. O pé doía muito. Ela não conseguia andar direito. Os seus mugidos encheram toda a quinta. Que confusão!

Todos os animais da quinta ouviram os gritos de Mimosa. O burro, a cabra, o porco e o galo correram para ajudar. Que aconteceu, Mimosa?, perguntou o burro preocupado. Mimosa mostrou o seu pé. O pico estava bem enfiado! Vamos ajudar-te!, disse a cabra. Todos queriam ser heróis.

O burro convencido aproximou-se. Eu consigo tirar isso!, disse ele com orgulho. Agarrou o pico com os dentes e puxou forte. Mas o pico não saiu! Só ficou com muita baba na cara. E o pico ficou ainda mais enfiado! Oh não!, suspirou o burro envergonhado. Mimosa continuava a gemer.

Agora sou eu!, disse a cabra saltitante. Ela agarrou o pico com a boca. Deu um salto valente para trás. Voou pelo ar e... SPLASH! Caiu de rabo numa poça de lama! A cabra ficou toda suja e molhada. O pico continuava no pé da Mimosa. Desculpa, Mimosa!, disse a cabra envergonhada.

Deixem comigo!, grunhiu o porco orgulhoso. Ele empurrou o pico com o focinho. Bufou e espremeu com toda a força! O focinho ficou todo vermelho do esforço. Mas o pico teimoso nem se mexeu! Que difícil!, resmungou o porco cansado. Mimosa suspirava tristemente. Ninguém conseguia ajudar.

Eu sei o que fazer!, cantou o galo confiante. Bateu as asas com força. Cantou o cocorocó mais alto de sempre! Cocorocóóó! O som ecoou por toda a quinta. Mas o pico ignorou completamente o canto. Não funcionou nada!, admitiu o galo. Todos estavam a ficar preocupados.

O sol começou a descer no horizonte. A noite chegava devagar à quinta. Mimosa deitou-se na palha, muito cansada. Ela gemia baixinho de dor. Os amigos ficaram ao seu lado. Ninguém sabia mais o que fazer. Estavam todos tristes. Será que alguém podia ajudar a Mimosa?

Foi então que chegou o Tio Manel. Era o caseiro baixinho de bigode farto. Usava um boné antigo na cabeça. O seu cinto tinha muitas ferramentas que tilintavam. Então, Mimosa? Tanto drama porquê?, perguntou com um sorriso. Acocorhou-se junto dela. Mimosa levantou o pé devagar. Mostrou o pico cravado.

Tio Manel tirou um alicate velho do cinto. Acalmou a vaca com uma carícia carinhosa. Vai ficar tudo bem, Mimosa, disse baixinho. Segurou o pé com cuidado. Depois agarrou o pico com o alicate. Num movimento seco e preciso... ZÁS! O pico saiu limpinho! Mimosa deu um mugido de alívio!

Todos os animais começaram a festejar! Houve relinchos, balidos e grunhidos alegres. O galo cantou cocorocós felizes! Mimosa saltou de contentamento. O pé já não doía nada! Tio Manel deu uma palmadinha no pescoço dela. Era só puxar com jeito. Boa noite!, disse ele sorrindo. Que herói, o Tio Manel!

Mimosa voltou a pastar feliz, sem coxear. O ouriço-cacheiro aprendeu a esconder melhor os picos. Todos na quinta ficaram a admirar ainda mais o Tio Manel. E o seu alicate mágico também! Os animais aprenderam que às vezes precisamos de ajuda de quem sabe. E viveram felizes para sempre na quinta!