

No reino pequenino, vivia o Rei Tutu, um menino de sete anos com coroa dourada. Ele adorava jogar bolinhas de gude com seu amigo, o Bobo Bolota. Só que o Rei Tutu tinha uma regra: ele precisava ganhar sempre! 'Eu sou o rei, e reis não perdem!', dizia ele, batendo o pé. Bobo Bolota apenas sorria e ajeitava seu chapéu de sininhos, pronto para outra partida no jardim do castelo.

No jardim, os dois amigos se sentaram na grama macia. Bobo Bolota espalhou as bolinhas coloridas no chão. 'Hoje eu vou jogar direitinho, sem trapaça!', disse o bobo, rindo. O Rei Tutu cruzou os braços e falou: 'Trapaça? Eu nunca preciso trapacear, eu sempre ganho!' As bolinhas rolaram, brilhando ao sol, enquanto o jogo começava animado.

Bolinha após bolinha, Bobo Bolota acertava todas com pontaria certeira. O Rei Tutu ficou boquiaberto quando viu sua última bolinha sair do círculo. 'Eu... eu perdi?', gaguejou o rei, olhando para a coroa que quase caiu de sua cabeça. Bobo Bolota pulou de alegria: 'Ganhei! Ganhei de verdade!' O jardim ficou em silêncio, esperando a reação real.

O Rei Tutu jogou sua coroa no chão e gritou: 'Isso não vale! Quero outra chance, agora!' Ele pisou fundo na grama, fazendo os passarinhos voarem assustados. 'Foi só um jogo, Tutu', disse Bobo Bolota, tentando calma. Mas o rei já corria para o castelo, gritando por uma revanche real, imediatamente, sem esperar nem um segundo.

Dentro do salão do trono, o Rei Tutu bateu o cetro na mesa. 'Decreto real: haverá uma revanche, com regras novas, feitas só para mim!' Bobo Bolota riu escondido atrás da mão. 'Que regras seriam essas, majestade?' O rei pensou um pouco e respondeu: 'Eu jogo sentado no trono, e você fica de olhos fechados!'

Bobo Bolota concordou, mesmo achando tudo muito engraçado. Ele fechou os olhos, tateando as bolinhas com as mãos. O Rei Tutu, do alto do trono, jogava com cuidado extremo, ajustando a coroa a cada rodada. Só que, sem querer, sua manga larga empurrou as bolinhas para longe, uma a uma, escapando pela porta do salão.

Tentando alcançar as bolinhas perdidas, o Rei Tutu levantou-se rápido demais. Sua coroa deslizou e caiu, rolando pelo tapete vermelho até os pés de Bobo Bolota, que ainda estava de olhos fechados. 'Achei uma bolinha bem grande e brilhante!', disse ele, apalpando a coroa. O rei correu atrás, tropeçando na própria capa longa.

No fim da confusão, restava apenas uma bolinha no chão, perto do bobo. Bobo Bolota, ainda de olhos fechados, tocou nela primeiro. 'Ganhei outra vez!', ele gritou, abrindo os olhos surpreso. O Rei Tutu ficou vermelho como um tomate e gritou tão alto que os guardas do castelo correram, achando que era uma emergência real.

Furioso, o Rei Tutu virou a mesinha de chá, derramando tudo no tapete. 'Ninguém vence o rei duas vezes!', berrou ele, cruzando os braços com força. Bobo Bolota olhou tudo aquilo e ficou triste. 'Tutu, você está estragando algo que era só para ser divertido', disse ele, baixinho, pegando a coroa caída do chão.

Bobo Bolota sentou-se ao lado do amigo. 'Eu gosto de jogar com você, ganhando ou perdendo', disse ele com sinceridade. 'O que importa é rirmos juntos.' O Rei Tutu ficou quieto, olhando para a bagunça que fizera. 'Eu só não sei perder', admitiu ele, baixinho, sentindo o rosto ainda quente de vergonha.

Bobo Bolota sorriu e estendeu a mão. 'Que tal tentarmos de novo, sem regras tortas e sem gritos?' O Rei Tutu respirou fundo e assentiu, pegando sua coroa amassada. 'Combinado. E se eu perder... eu prometo não virar mais nenhuma mesa!' Os dois riram juntos, arrumando as bolinhas espalhadas pelo salão real.

No jardim, sob o sol, os dois amigos jogaram uma última partida. Dessa vez, o Rei Tutu perdeu de novo, mas apenas riu e aplaudiu Bobo Bolota. 'Você é o campeão de verdade!', disse ele, sorrindo largo. Os dois se abraçaram, entendendo que a melhor revanche era simplesmente se divertir juntos, sempre.